Propostas boas são reprovadas todo ano por motivos que não têm nada a ver com a qualidade da ciência. Este guia trata do que costuma decidir.
Chamadas de infraestrutura da FINEP, do CNPq e das fundações estaduais de amparo à pesquisa financiam equipamento, não ideia solta. Isso muda o que a proposta precisa provar, e é onde muitos grupos escorregam.
Acompanhamos submissões desse tipo do lado técnico, elaborando especificação e orçamento. O que vem abaixo é o padrão que observamos nas propostas que passam.
Agência de fomento não financia melhoria incremental de laboratório. Ela financia capacidade instalada que muda o que o país consegue investigar.
A diferença aparece já no resumo. "Ampliar a capacidade computacional do grupo" descreve um desejo interno. "Automatizar a produção cartográfica dos seis biomas brasileiros em resolução de cinco metros" descreve um resultado que não existe hoje e que o Brasil precisa.
A pergunta não é o que você quer comprar. É o que deixa de ser impossível depois que a máquina existir.
Proposta com mais de uma instituição envolvida, especialmente quando há um órgão executor com demanda real pelo resultado, tem peso diferente. Ela mostra que o produto tem destino, não só autor.
Não precisa ser consórcio formal gigantesco. Precisa ficar claro quem gera o dado, quem processa e quem usa o resultado depois.
Avaliador pergunta, de forma implícita: este grupo já fez alguma coisa parecida em escala menor? Publicação anterior, projeto piloto, ferramenta já desenvolvida. Qualquer evidência de que a equipe sabe operar aquilo que está pedindo.
Grupo que nunca rodou nada em cluster pedindo cluster grande é um risco visível para quem avalia.
Este é o ponto que mais vemos falhar, e o mais fácil de resolver.
A proposta precisa de configuração detalhada e orçamento correspondente, no formato que o edital exige. Só que o pesquisador raramente domina o mercado de infraestrutura, e com razão: não é a função dele.
O resultado é previsível. Ou a especificação vem genérica demais e o avaliador não consegue julgar se o valor faz sentido, ou vem copiada de um orçamento antigo e desatualizado, e o preço não fecha na hora da compra.
Configuração por item, com quantidade e justificativa técnica ligada às aplicações que o grupo roda. Orçamento com validade declarada. Previsão de enquadramento fiscal, quando a instituição se qualifica. E uma trajetória de expansão, mostrando que o ambiente cresce sem ser refeito.
Equipamento de supercomputação importado carrega carga tributária alta. Quando a instituição se qualifica para a isenção da Lei 8.010/90, essa diferença é dinheiro que volta para o projeto na forma de mais capacidade.
Só que isso precisa aparecer na proposta. Orçamento montado sem considerar o enquadramento superdimensiona o custo e faz o projeto parecer mais caro do que é. Ou, pior, o recurso é aprovado no valor cheio e depois sobra saldo sem destino claro.
Recurso de fomento tem prazo de execução. Importação de equipamento de grande porte envolve habilitação, licença de importação, produção, logística internacional e desembaraço. Cada etapa tem prazo próprio e nenhuma delas acelera por urgência.
Proposta que trata a compra como um evento único, e não como um processo de meses, entra em risco de devolver verba por decurso de prazo.
Deixar a especificação para depois da aprovação.
É compreensível: parece perda de tempo detalhar equipamento para um projeto que talvez não seja aprovado. Mas a especificação não é só um anexo. Ela é o que demonstra que o grupo sabe exatamente o que vai fazer com o dinheiro, e é isso que o avaliador está tentando descobrir.
Elaboramos especificação técnica, dimensionamento e orçamento para anexar à proposta, com o enquadramento fiscal previsto. É um serviço que prestamos antes de existir recurso aprovado, porque é aí que ele faz diferença.
A PerfilGlobal projeta, importa e implanta infraestrutura de supercomputação para pesquisa científica no Brasil.